DOENÇAS ARTICULARES

Comuns algumas doenças serem tratadas em clínica médica veterinária, principalmente aquelas doenças que estão intimamente ligadas à idade avançada e a obesidade. Com o aumento da longevidade dos cães e gatos, decorrente da melhoria na qualidade de vida, temos atendido com muita frequência animais que estão sendo acometidos com doenças articulares que podem ser de origem inflamatória ou não inflamatória, sendo nesse último caso descrita como degenerativa. Estas doenças são de caráter progressivo, sendo crônico na articulação. Suas causas normalmente estão descritas por ocasião de traumatismos ou ainda podem ter um caráter idiopático, isto é, sem causa conhecida, porém mais frequente nos idosos.

A patologia se instala na região articular; ocasionando uma instabilidade e, portanto, na tentativa de manter um equilíbrio corpóreo leva a um esforço maior e por consequência um espessamento da cápsula articular formando-se por fim pontos de calcificação.

Essa doença é extremamente comum nos cães e os sintomas se restringem às articulações com dificuldade em movimentação rápida, dificuldade em sentar e levantar, atrofia muscular, etc... principalmente quando a temperatura ambiente está mais fria e úmida.

Para o diagnóstico há necessidade de um minucioso exame clínico acompanhado de exames laboratoriais, tais como Raio X e ultimamente com exames mais detalhados como ressonância magnética.

O tratamento consiste em melhorar as condições clínicas do animal, diminuindo o desconforto e tentando impedir uma futura degeneração da articulação. O Médico Veterinário também orientará o proprietário quanto a um controle do peso do animal para evitar uma sobrecarga e também o repouso necessário para a recuperação.

Todos esses cuidados são necessários para que o animal tenha uma boa qualidade de vida, pois quando ele não se movimenta ele acaba tendo alterações comportamentais e também prejudicando outros órgãos perdendo o interesse em nossa companhia.

Magda Izidio de Souza
Médica veterinária
CRMV/SP 2.703

BORDETELA – TOSSE EM CÃES

É muito comum durante uma vida de atendimento clínico veterinário; observarmos doenças que aparecem durante um período, ou seja, por alguns anos e pela sua ocorrência frequente, há todo um cuidado de tratamento e também um cuidado de profilaxia, ou seja, a fim de evitar novos animais doentes.

O fato é que está ocorrendo com uma doença que anos atrás já discutimos, pois estava muito evidente que é a Bordetelose ou “tosse dos canis” que muitas pessoas também o chamam de gripecanina, apesar de não ser a melhor denominação. Esta patologia é causada poruma bactéria chamada “Bordetellabronchiseptica” que ataca traqueia e os brônquios, causandotraqueobronquite infecciosa e como consequência o animal passa a apresentar umasecreção nasal viscosa e purulenta. O quadro é muito debilitante para o cão,por isso é fatal para os recém-nascidos devido à obstrução das vias aéreas comessa secreção; sem contar que para os idosos a evolução é muito comum para uma broncopneumonia.

O que chama muita atenção dosproprietários é a presença de uma tosse persistente que piora quando o animalse exercita e com frequência a tosse desencadeia náuseas. O agente patogênico,causador da doença, tem um período de incubação que varia de 4 a 10 dias e osanimais recuperados continuam a albergar e expelir o microrganismos por meses. Éuma doença altamente transmissível para cães que estejam susceptíveis. Portantoos animais que apresentam tosses secas, irritantes que persistem a vários diasnecessitam ser avaliados pelo Médico Veterinário, para se fazer um diagnósticodiferencial da doença.

Importante saber que esta doença poucose diagnosticou nos últimos anos, pois estava sob controle devido ao grandenúmero de animais vacinados, visto ser uma doença que pode ser evitada comvacina anual. Ocorre que, por quase não mais se encontrar animais doentes comesta bactéria, começou-se a não mais vacinar os cães com esta vacina e começounovamente apresentar vários animais doentes.

A vacina preventiva para a doença já existe há muitos anos e realmente apresenta uma eficiência como prevenção. Os animaisnunca vacinados recebem duas doses, com intervalo de trinta dias e depoissomente uma única dose anual.

Desta maneira é muito importanterealizar a vacina do cão, principalmente neste período, onde estão apresentandomuitos casos de animais não vacinados. Como vacinar é um ato de amor, dê maisesta prova de carinho ao seu amiguinho vacinando-o, não somente contra estadoença, mas também contra outras doença que muitas vezes pode ser fatal aoanimal, procure seu Médico Veterinário, para que possa esclarecer sobre asvacinas e cuidados que você deverá ter com seu animal de estimação afim de queesteja sempre saudável.

Magda Izidio de Souza
Médica veterinária
CRMV/SP 2.703

NÓDULOS DE PELE – RISCOS RENAIS

O animal ao ser consultado pelo profissional Médico Veterinário; será avaliado pela queixa principal do proprietário, ou seja, há uma preocupação minuciosa no foco reclamado, entretanto, o exame físico de uma forma geral nos animais é uma rotina comum na clínica médica veterinária. Este ato do profissional em avaliar o corpo de uma forma geral, é porque alguns sinais clínicos visíveis podem ser considerados alertas para doenças silenciosas muito graves.

Entre várias patologias que podem ser diagnosticadas pela avaliação física é o caso da Dermatofibrose Nodular; que é uma doença muito comum no Pastor Alemão e pelas avaliações feitas sugere ser uma doença de caráter hereditário, sendo que as presenças desses cistos nodulares na pele normalmente estão acompanhados de cistos e tumores renais e uterinos.

A dermatofibrose (nódulos na pele) além de ocorrer nos cães pastores surgem também nos seus mestiços durante toda vida adulta sem predisposição sexual, iniciando por formações subcutâneas e com o decorrer do tempo as alterações renais podem aparecer.

Esta patologia tem como formação de nódulos de até cinco centímetros de diâmetro e são indolores, quando localizadas nas patas somente iniciarão sintomas quando atrapalhar a locomoção. Por ser o rim a região de eleição da metástase destes nódulos; a função renal ficará comprometida ao longo de meses ou anos e levará o animal a um quadro grave de insuficiência renal e somente quando em estágio avançado irá aparecer os primeiros sintomas; tais como falta de apetite, diarreia, emagrecimento, fraqueza muscular, uremia e outros sintomas clínico que serão percebidos pelo Médico Veterinário.

Além do exame clínico minucioso, uma complementação laboratorial faz-se necessário incluindo ultra-sonografia e biópsia para diagnóstico diferencial da dermatofibrose e se o rim e útero estiverem afetados, os exames complementares a esta patologia devem ser realizados.

O tratamento dos nódulos depende da localização e gravidade, mesmo assim ocorre a evolução lenta da doença com prognóstico reservado, devido a metástase renal.

Portanto toda vez que se observar aumentos de volume em qualquer região do corpo de seu animal, leve-o mais breve possível, muitas vezes o diagnóstico precoce é a resposta para a cura.

Magda Izidio de Souza
Médica veterinária
CRMV/SP 2.703

TUMORES: PULMÃO X MAMA

A clínica médica veterinária é uma especialidade que atende uma gama enorme de pacientes com as mais variadas doenças. Nestes trinta e seis anos de experiência no atendimento diário de cães, gatos, aves e animais exóticos são incontáveis os casos de tumores nos mais variados órgãos que podem afetar os animais de estimação, não diferente o que ocorre nos seres humanos.

Para cada tipo de órgão afetado há uma característica médica observada para se levar a uma conclusão ou suspeita diagnóstica. Nos casos dos pulmões, a regra que haja um outro órgão afetado com uma neoformação e o pulmão é secundário, ou seja, normalmente se trata de um câncer maligno em outro órgão que enviou células tumorais pela circulação sanguínea até se iniciar nos pulmões, este envio de células para outros órgãos denomina-se de metástase, ou seja, tumor à distância.

Neste sentido, é que há uma relação muito grande de tumores mamários nas cadelas e gatas com tumores em pulmão. A grande maioria de tumores mamários nos animais domésticos tem caráter maligno e com um percentual menor de tumores benignos. Isto que dizer que tumores de mama se não tratadas a tempo, podem transmitir outros tumores em outros órgãos e o mais afetado são os pulmões, portanto, são tumores metastáticos. A sintomatologia clínica é bem visível ao proprietário, como alterações respiratórias, cansaço fácil, tosse improdutiva, relutância em movimentar-se, etc..., entretanto, o diagnóstico médico é feito através de minucioso exame clínico, raio-x torácico e anamnese. Sendo que muitas vezes há relato de um tumor primário em outra localização, principalmente nas fêmeas são tumores em mamas.

O tratamento em casos de tumores é sempre cirúrgico, sendo que é extremamente importante da remoção do foco primário; como nos casos de tumores de mama. Infelizmente, quando se observa uma metástase na maioria dos caos o problema já está em fase terminal. A cirurgia nem sempre significa a cura do animal, podendo ser apenas um paliativo para a sintomatologia. O prognóstico para as metástases pulmonares é grave e somente o profissional é que avaliará qual será a melhor forma de condução do problema.

Desta maneira, é sempre muito importante a remoção cirúrgica de tumores em qualquer localidade do corpo e sempre que possível, bem como se analisar o tipo de célula tumoral envolvida (através de exame histopatológico); a fim de poder iniciar um tratamento anti neoplásico, muito conhecido como quimioterapia, o quanto antes, de forma preventiva, nos casos de tumores malignos.

Sempre que observar qualquer sintoma dos descritos acima ou perceber qualquer alteração no estado geral de seu animal, ou aparecimento de nódulos ou inchaços procure o Médico Veterinário para que o quanto antes seja feito um diagnóstico, para dessa forma poder se dar melhores condições de vida. Com estes cuidados e atenção nossos amiguinhos de companhia tem conseguido aumentar a longevidade e com qualidade de vida.

Magda Izidio de Souza
Médica veterinária
CRMV/SP 2.703

DOENÇA INFLAMATÓRIA INTESTINAL - CÃES E GATOS

Em clínica médica veterinária temos uma infinidade de patologias atendidas e tratadas no dia a dia, porém a Doença Inflamatória Intestinal tanto nos cães como nos gatos podemos afirmar que atualmente é uma das causas mais comuns de vômitos e diarreias e esta patologia também é denominada de Enteropatia Inflamatória Idiopática. O termo doença intestinal inflamatória é uma descrição abrangente para um grupo de doenças intestinais crônicas, que apresentam características diferentes pela reação inflamatória do tecido intestinal que podem ser atacados pelas células inflamatórias, do tipo linfócitos, plasmócitos, eosinófilos, neoutrófilos e macrófagos.

As enterites e colites que acometem os cães e gatos, devem ser pesquisadas o tipo de resposta inflamatória envolvida, para que possa proceder pelo tratamento mais adequado, porém as causas definitivas são desconhecidas. Mas a grande maioria das pesquisas estão voltadas a processos auto imune, alergias alimentares a determinadas proteínas e atuação de microrganismos intestinais. Sabe-se que não há predisposição etária, sexual ou racial aparente associada com a Doença Inflamatória Intestinal, no entanto, tem se tornado comum em cães da raça pastor alemão, yorkshire terrier e cocker spaniel e nos gatos de raças puras com idades medias ao seis anos de vida.

A sintomatologia mais comum na doença intestinal inflamatória é o vômito que ocorre de forma intermitente por semanas, meses ou até anos. Podem ser vômitos de coloração clara liquida ou espumosa e biliar com cor amarelada, bem como pode apresentar envolvimento gástrico e apresentar sangue. Outro sinal envolvido é a diarreia, muitas vezes mais comum que o próprio vomito, ou ambos sinais podem estar associados e sempre não responsivos aos tratamentos médicos convencionais. A localização da patologia inflamatória no intestino também deve ser levada em consideração, pois anormalidade em intestino delgado afeta o animal fazendo-o perder peso, falta de apetite, desidratação, apatia e fezes com esteatorréia) (gordura nas fezes), o que não ocorre quando afeta apenas o intestino grosso, mas também pode afetar ambos.

É muito importante se realizar o diagnóstico diferencial e descartar as doenças intestinais comuns com características similares, tais como, giardíase crônica, hipertireoidismo, insuficiência pancreática exógena e etc, sendo que em gatos devem ser pesquisado também FIV e FELV. Os exames laboratoriais de hemograma, perfil bioquímico, urinálise, exame de fezes, ultrassonografia e outros justificam por fim o exame definitivo de endoscopia ou colonoscopia para biópsia das regiões de mucosa intestinal afetada.

Os tratamentos serão específicos para cada tipo de resposta inflamatória intestinal envolvida e concomitante mudanças de hábitos alimentares. Os pacientes devem ser acompanhados e controlados por longos períodos, porém podem ter recidivas, necessitando de novos tratamentos. Assim, vômitos e diarreias constantes e persistentes, mesmo que não apresente alterações de um aspecto geral no organismo do animal merece atenção e avaliação pelo Médico Veterinário que irá pesquisar doenças inflamatória intestinal descartando as doenças mais comuns, afim de dar uma qualidade de vida e aumentar sua longevidade.

Magda Izidio de Souza
Médica veterinária
CRMV/SP 2.703

LUXAÇÃO PATELAR

A patela é também conhecida como rótula; ou seja, o osso do joelho; que tem sua anatomia correta devidamente posicionada na parte frontal da perna. Ocorre que por alguns motivos, há um deslocamento desta patela e esta patologia é denominada de Luxação Patelar, que pode acometer cães, gatos e até mesmo os seres humanos.

Este deslocamento da rótula ocorre para as laterais interna ou externa podendo ser de forma intermitente ou ficar constantemente luxada, ou seja, a rótula desloca-se para a lateral causando dores agudas no animal e com o tempo e alguns movimentos a rótula volta ao posicionamento correto novamente, entretanto, a luxação intermitente provoca um desgaste de cartilagens e contribui para artrites; podendo inclusive levar ao rompimento de ligamentos e chegará em uma luxação permanente.

Em qualquer um dos casos; o movimento anormal da patela causa dor e sofrimento ao animal, mas é possível fazer a correção de forma cirúrgica para definitivamente cessar este deslocamento anormal.

A cirurgia corretiva deve ser realizada no início da doença, evitando-se passar muito tempo para se tomar uma decisão, pois com o tempo as cartilagens envolvidas no joelho podem ficar extremamente danificadas e com artrites, impossibilitando a correção cirúrgica.

Os sinais da luxação de patela é claudicação, muitas vezes intermitente. A articulação em região de joelho pode ficar grossa e inchada, animal sente dor ao movimenta-se; impede o animal ficar pulando ou até mesmo andar e ocasionalmente o cão mantém a pata traseira virada lateralmente ao andar.

Assim, ao perceber um dos sintomas deve-se levar o animal ao Médico Veterinário que fará o diagnóstico através de exame físico anamnese e exames radiográficos para diagnóstico diferencial e assim instituir o melhor tratamento e se necessário cirurgia ortopédica.

Magda Izidio de Souza
Médica veterinária
CRMV/SP 2.703

ALIMENTAÇÃO - AVES DE CATIVEIRO

O mercado pet de uma forma geral evoluiu muito, e ainda houve uma grande avanço no que tangencia o mercado de aves de cativeiro, entre eles, canários, periquitos, calopsitas, papagaios e etc. Muito comum encontrarmos em lojas especializadas pets; uma variedade enorme de alimentos para cada espécie de animal, principalmente para as aves.
Entretanto, há um grande problema que se perdura ao longo dos anos no erro do manejo alimentar de vários animais, principalmente pela proximidade que eles têm da família. Comum encontrar gaiolas de aves dentro das residências, com seus papagaios, calopsitas, periquitos e etc... portanto, o manejo e atenção tornam-se próximos, mas esta proximidade faz com que seus proprietários de forma inocente e inadvertidamente alimentem erroneamente suas aves.
Como exemplo errado, é comum se observar papagaios comerem pão, leite, “tomar café”, bolachas, arroz “fresquinho”, etc.... certamente se pararem para analisar; são alimentos que as aves jamais encontrariam na natureza; portanto, tornam-se proibidas, mesmo porque estão em cativeiro e não possuem outra alternativa; a não ser aquela que for oferecida a eles.
Outa situação muito comum é alimentar o papagaio única e exclusivamente com girassol; ocorre que, não que seja proibido o girassol, mas este não deve ser sua fonte única alimentar, muito pelo contrário, não deveria ultrapassar sequer 10% da fonte alimentar da ave. Sabe-se muito sobre a longevidade das aves em natureza, como Arara ultrapassar os 80 anos de vida, e os papagaios por volta dos 60 anos. Entretanto, já se sabe que os papagaios com erros alimentares em cativeiro; não ultrapassam os 20 anos de vida, pela deficiência vitamínica e mineral, por alimentos inapropriados.
Assim, é que se pode afirmar que a alimentação balanceada é a base de uma vida saudável e longínqua, pois muitas patologias jamais irão se manifestar e ainda diante de uma patologia o organismo apresentará condições melhores para responder aos tratamentos quando bem equilibrado.
Muitas doenças de pele, escamações, quedas e esfarelamento de penas, doenças respiratórias, processos inflamatórios, tumores, atrofias músculo esqueléticas, crescimentos exagerados de bicos e unhas; entre outras são patologias relacionadas diretamente ao hábito alimentar errôneo, provocado pela carência nutricional vitamínica e mineral.
As aves devem ter alimentos adequados, equilibrados, bem como devem ser alimentados com rações próprias, que auxiliam no trato do animal, ainda, devem ser avaliados por um Médico Veterinário; que instituirá uma alimentação saudável e equilibrada para cada espécie de animal. Leve sua ave regularmente ao profissional, que ajudará sempre a ter uma vida com qualidade e uma excelente longevidade desta ave.

Magda Izidio de Souza
Médica veterinária
CRMV/SP 2.703

 

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